Golpes com inteligência artificial se multiplicam no Brasil e deixam fraudes mais difíceis de identificar
A inteligência artificial está sendo cada vez mais utilizada por criminosos no Brasil para sofisticar fraudes, como clonagem de voz de familiares, vídeos com deepfakes e mensagens falsas extremamente convincentes. Com um aumento expressivo nas tentativas de golpe, a recomendação de especialistas é clara: não aja sob pressão, desconfie de pedidos urgentes de dinheiro ou dados, e sempre confirme as informações diretamente nos canais oficiais das empresas ou ligando para o número conhecido da pessoa.

A inteligência artificial já faz parte da rotina de muitas pessoas. A tecnologia está presente em ferramentas de trabalho, aplicativos, redes sociais e diversas atividades do dia a dia. Mas, enquanto facilita tarefas, também passou a ser utilizada por criminosos para aplicar golpes.
As fraudes estão ficando cada vez mais convincentes. Com ajuda da inteligência artificial, criminosos conseguem criar vozes parecidas com as de familiares, produzir imagens falsas, alterar vídeos e escrever mensagens que parecem ter sido enviadas por empresas ou instituições verdadeiras.
Um levantamento divulgado em 2026 pela Sumsub apontou aumento de 126% nas tentativas de fraude envolvendo deepfakes no Brasil em um ano. O estudo também mostrou que o país concentrou quatro em cada dez ataques desse tipo registrados na América Latina.
Na prática, a inteligência artificial não criou todos esses golpes. Em muitos casos, ela está sendo usada para deixar estratégias antigas mais sofisticadas e difíceis de identificar.
Golpes usam voz de familiares
Um dos casos que mais chama atenção é a clonagem de voz.
Com ferramentas de inteligência artificial, criminosos conseguem reproduzir a voz de uma pessoa e utilizá-la em uma ligação ou áudio. O contato pode ser feito com familiares, normalmente acompanhado de uma história de emergência.
O golpista pode dizer que sofreu um acidente, perdeu o celular, está com algum problema ou precisa pagar uma conta com urgência.
O pedido costuma terminar com uma solicitação de dinheiro.
O problema é que ouvir a voz de alguém conhecido pode fazer a vítima acreditar que realmente está falando com aquela pessoa.
Por isso, quando houver um pedido inesperado de dinheiro, a recomendação é confirmar a informação por outro meio. Uma ligação para o número que já está salvo na agenda pode ajudar a descobrir rapidamente se a situação é verdadeira.
Deepfakes deixam vídeos mais convincentes
Os chamados deepfakes também passaram a fazer parte das estratégias utilizadas em golpes.
A tecnologia permite alterar rostos, vozes e vídeos para criar situações que nunca aconteceram. Uma pessoa pode aparecer dizendo algo que não disse ou ser colocada em uma gravação que não tem relação com ela.
Esse tipo de conteúdo pode ser utilizado em anúncios falsos, publicações nas redes sociais e mensagens compartilhadas entre usuários.
Em março de 2026, a Anatel realizou uma campanha para alertar sobre os riscos dos deepfakes. A agência destacou que imagens, áudios e vídeos manipulados podem ser usados para conseguir informações pessoais ou provocar prejuízos financeiros.
Por isso, mesmo quando um vídeo parece verdadeiro, é importante procurar outras fontes antes de acreditar ou compartilhar.
Mensagens falsas ficaram mais bem escritas
Durante muito tempo, erros de português eram um dos sinais que ajudavam a identificar mensagens fraudulentas.
Esse cuidado continua sendo válido, mas já não é suficiente.
Ferramentas de inteligência artificial conseguem produzir textos bem escritos e adaptar uma mesma mensagem para diferentes situações. Isso facilita o trabalho dos criminosos, que podem criar abordagens mais próximas da comunicação utilizada por empresas e instituições.
Em 2026, uma investigação da Polícia Federal identificou anúncios e sites falsos relacionados a serviços públicos. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, ferramentas de inteligência artificial também foram utilizadas na produção de conteúdos.
A intenção pode ser conseguir dinheiro ou coletar dados pessoais para aplicar outras fraudes posteriormente.
Por isso, o consumidor não deve confiar apenas na aparência de uma mensagem. É importante verificar quem enviou, conferir o endereço do site e procurar o serviço diretamente nos canais oficiais.

Falsos atendentes também são usados nos golpes
Outro golpe comum começa com uma ligação de alguém que se apresenta como funcionário de um banco ou empresa.
A pessoa pode ouvir que existe uma movimentação suspeita na conta ou algum problema que precisa ser resolvido naquele momento.
Depois, o falso atendente tenta conseguir informações, códigos de segurança ou até convencer a vítima a fazer uma transferência.
A inteligência artificial pode ajudar a tornar esse contato mais convincente, principalmente na criação de mensagens personalizadas.
Mesmo assim, uma ligação bem feita não significa que seja verdadeira.
Se alguém entrar em contato pedindo senha, código, transferência ou instalação de aplicativo, a orientação é encerrar a conversa e procurar a instituição pelos canais oficiais.
Ofertas falsas também podem usar IA
Os golpes também aparecem em anúncios na internet.
Uma pessoa pode encontrar uma oferta prometendo desconto, benefício, serviço público ou alguma vantagem financeira. Ao clicar, acaba sendo direcionada para uma página falsa, que imita o site de uma empresa ou instituição.
O usuário pode ser induzido a informar nome, CPF, telefone, dados bancários ou até realizar um pagamento.
O cuidado deve ser ainda maior quando a oferta parecer boa demais.
Antes de fornecer qualquer informação, o ideal é procurar a empresa ou instituição diretamente. Em vez de clicar em um link recebido por mensagem ou anúncio, o usuário pode digitar o endereço oficial no navegador ou acessar o aplicativo utilizado normalmente.
Como se proteger
Uma das principais formas de evitar golpes é não tomar decisões sob pressão.
Criminosos costumam criar situações de urgência para impedir que a vítima tenha tempo de pensar ou confirmar a informação.
Pedidos inesperados de dinheiro devem sempre ser verificados. O mesmo vale para mensagens que solicitam senhas, códigos, documentos ou dados bancários.
Também é importante evitar clicar em links recebidos de números desconhecidos.
Nas redes sociais, ofertas muito vantajosas devem ser pesquisadas antes de qualquer pagamento.
Outro cuidado importante é não publicar informações pessoais em excesso. Dados disponíveis nas redes sociais podem ajudar criminosos a criar abordagens mais personalizadas.
Caiu em um golpe? Saiba o que fazer
Mesmo com todos os cuidados, qualquer pessoa pode ser vítima de uma fraude.
Ao perceber o golpe, é importante entrar em contato rapidamente com o banco pelos canais oficiais e informar o ocorrido.
Se houve uma transferência por Pix, o consumidor deve perguntar à instituição financeira quais procedimentos podem ser adotados para contestar a operação.
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência e guardar todas as provas. Conversas, números de telefone, comprovantes de pagamento, links e capturas de tela podem ajudar na investigação.
Atenção continua sendo a principal proteção
O avanço da inteligência artificial mudou a maneira como muitos golpes são aplicados.
Hoje, uma voz pode parecer ser de um familiar, uma mensagem pode imitar a comunicação de uma empresa e um vídeo pode mostrar uma pessoa dizendo algo que nunca falou.
Por isso, a principal orientação continua sendo simples: antes de enviar dinheiro ou compartilhar informações pessoais, confirme.
Uma ligação para um número conhecido, uma consulta ao site oficial ou alguns minutos de pesquisa podem evitar um prejuízo maior.
A inteligência artificial continuará avançando e fazendo parte da vida das pessoas. Ao mesmo tempo, criminosos devem buscar novas formas de utilizar a tecnologia.
Para o consumidor, o cuidado precisa acompanhar essa mudança. Desconfiar de pedidos urgentes, confirmar informações e utilizar apenas canais oficiais são atitudes simples que podem fazer diferença na hora de evitar um golpe.




