Dólar reage após eleições e mercado acompanha segundo turno
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 provocou uma forte reação no mercado financeiro, com o dólar registrando queda de mais de 4% e retornando à casa dos R$ 5, enquanto o Ibovespa operou em alta. A disputa recalibrou as expectativas dos investidores, que agora acompanham de perto as propostas fiscais e econômicas dos candidatos para o segundo turno. Apesar do otimismo inicial, especialistas alertam que a volatilidade da moeda deve continuar nas próximas semanas, influenciada tanto pelo cenário político interno quanto pelo contexto econômico global.

O resultado do primeiro turno das eleições de 2026 provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro. No primeiro pregão após a votação, o dólar caiu mais de 4% e voltou a ficar próximo de R$ 5.
A movimentação chamou atenção porque aconteceu justamente em um momento de grande expectativa sobre os rumos políticos e econômicos do país. Com Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, marcado para 25 de outubro, investidores passaram a revisar suas expectativas para os próximos meses.
Na segunda-feira (5), o dólar à vista fechou em R$ 5,0022, com queda de 4,12%. No mesmo dia, o Ibovespa subiu 7,70%, em uma reação considerada positiva pelo mercado ao resultado eleitoral.
A forte oscilação mostra como o cenário político pode influenciar diretamente os mercados. Agora, a atenção se volta para a campanha do segundo turno e para as propostas econômicas apresentadas pelos candidatos.
Por que o dólar caiu após a eleição?
Antes da votação, o mercado trabalhava com um cenário de maior incerteza. O dólar havia encerrado o pregão de sexta-feira (2) em R$ 5,2173.
Depois do resultado das urnas, a percepção de parte dos investidores mudou. Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou próximo de 45%.
A diferença entre os dois candidatos fez o mercado recalcular algumas possibilidades para o futuro da economia brasileira.
A leitura de investidores também considerou a possibilidade de mudanças na política econômica a partir de 2027. Com isso, ativos brasileiros ganharam força e o dólar perdeu espaço diante do real.
A queda, no entanto, não significa que os problemas econômicos do país estejam resolvidos ou que a moeda continuará obrigatoriamente nesse caminho.
Contas públicas continuam no radar
Entre os principais assuntos acompanhados pelo mercado estão as contas públicas.
Investidores observam quanto o governo arrecada, quanto gasta e quais medidas pretende adotar para controlar a dívida e manter as finanças em equilíbrio.
Esse tema deve ganhar ainda mais importância durante a campanha do segundo turno. As propostas dos candidatos para gastos públicos, investimentos e controle das despesas podem influenciar as expectativas para o próximo governo.
Quando existe maior confiança na condução das contas públicas, o risco percebido pelos investidores tende a diminuir. Em um cenário de maior preocupação fiscal, o movimento pode ser justamente o contrário, pressionando o real e favorecendo uma alta do dólar.
Por isso, as próximas semanas serão importantes para entender se a reação vista depois do primeiro turno terá continuidade.
Dólar pode voltar a subir?
Sim. Mesmo depois da forte queda registrada na segunda-feira, não é possível afirmar que o dólar permanecerá próximo de R$ 5.
O câmbio pode reagir rapidamente a novas pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos, debates e mudanças na disputa.
Esse comportamento já apareceu durante a campanha. Em setembro, por exemplo, uma pesquisa eleitoral provocou uma reação negativa no mercado e o dólar fechou em alta de 1,27%, a R$ 5,1689.
Poucos dias depois, o cenário voltou a mudar.
Essa instabilidade mostra que o mercado está acompanhando principalmente as expectativas para o futuro. Uma nova informação pode mudar a avaliação dos investidores e provocar outra movimentação na moeda.
Fatores internacionais também influenciam
Apesar da eleição brasileira estar no centro das atenções neste momento, o dólar não depende apenas do cenário político nacional.
A economia internacional também tem peso importante. As decisões do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, sobre os juros americanos podem influenciar o fluxo de dinheiro entre diferentes países.
Quando os juros nos Estados Unidos estão mais atrativos, investidores podem retirar recursos de mercados considerados mais arriscados, como o Brasil. Esse movimento pode aumentar a procura pelo dólar e pressionar o real.
Os preços das commodities, o desempenho da economia mundial e acontecimentos geopolíticos também podem provocar mudanças no câmbio.
Por isso, mesmo que o cenário eleitoral brasileiro permaneça estável, fatores externos ainda podem fazer o dólar subir ou cair.
Como o dólar afeta a vida dos brasileiros?
A cotação da moeda americana não interessa apenas a investidores e grandes empresas. O consumidor também pode sentir os efeitos das oscilações.
Produtos importados, eletrônicos, equipamentos, componentes industriais e algumas matérias-primas são influenciados pelo câmbio.
Quando o dólar sobe, os custos de empresas que dependem de produtos estrangeiros podem aumentar. Em alguns casos, parte desse aumento acaba chegando ao consumidor.
O turismo também é afetado. Para quem pretende viajar para fora do país, uma alta do dólar significa maior custo com hospedagem, alimentação, compras e outros gastos.
Uma queda da moeda pode aliviar esses custos, mas isso não acontece imediatamente. Empresas possuem estoques e contratos fechados anteriormente, o que faz com que mudanças no câmbio levem algum tempo para aparecer nos preços.
Exportadores também acompanham o câmbio
O impacto do dólar não é igual para todos os setores.
Empresas que importam produtos ou matérias-primas tendem a ser prejudicadas quando a moeda americana fica mais cara. Já os exportadores podem se beneficiar de um dólar valorizado, pois recebem em moeda estrangeira e, ao converter os valores para reais, podem obter uma receita maior.
Por isso, o câmbio é acompanhado diariamente por diferentes setores da economia.
A busca por um cenário mais previsível é um dos principais interesses do mercado. Mais importante do que uma alta ou queda isolada é entender se a movimentação representa uma tendência que pode continuar.
O que esperar até o segundo turno?
Até a votação de 25 de outubro, o mercado deve continuar atento à disputa presidencial.
As pesquisas eleitorais, os debates e principalmente as propostas econômicas dos candidatos podem provocar novas oscilações.
Questões como controle dos gastos públicos, dívida, inflação, investimentos e política econômica estarão entre os assuntos observados pelos investidores.
Também devem ganhar importância possíveis alianças políticas e os sinais sobre quem poderá fazer parte de uma futura equipe econômica.
Tudo isso ajuda o mercado a formar uma expectativa sobre os primeiros meses do próximo governo.
Dólar perto de R$ 5 ainda não significa estabilidade
A queda registrada depois do primeiro turno foi expressiva, mas não garante que a moeda continuará no mesmo patamar.
O mercado pode passar por momentos de alta e baixa até que o cenário eleitoral fique mais definido.
Além disso, investidores podem aproveitar movimentos fortes de valorização para realizar lucros, o que também pode provocar novas oscilações.
Para o consumidor, a principal questão é não interpretar uma queda pontual do dólar como uma redução imediata de todos os preços.
O câmbio é apenas um dos fatores que influenciam a economia.
O primeiro turno mudou as expectativas do mercado e provocou uma reação forte na moeda americana. Agora, o segundo turno será acompanhado de perto.
Até a definição do próximo presidente, o dólar deve continuar sensível às notícias políticas e econômicas. O resultado das urnas será importante, mas as propostas apresentadas durante a campanha também terão peso na forma como investidores vão enxergar o futuro da economia brasileira.
Por enquanto, a queda após o primeiro turno mostra que o mercado recebeu o novo cenário com otimismo. Resta saber se esse movimento vai continuar nas próximas semanas ou se novas incertezas voltarão a pressionar o câmbio.




