Urna eletrônica usa internet durante a votação? Entenda como os votos são armazenados
A urna eletrônica usa internet durante a votação? Entenda por que ela funciona offline, onde os votos ficam armazenados e como os resultados chegam ao TSE.

Uma das dúvidas mais frequentes sobre a urna eletrônica brasileira é também uma das mais simples de responder: a urna usada pelo eleitor não fica conectada à internet durante a votação.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o equipamento funciona isolado de redes externas. A urna não é responsável por enviar votos pela internet enquanto as pessoas estão votando e também não transmite diretamente o resultado ao TSE ao final do dia.
Isso não significa que todo o processo eleitoral brasileiro funcione sem redes de comunicação.
Depois que a votação termina, os resultados produzidos pela urna são gravados em uma mídia e levados para uma infraestrutura separada de transmissão. É nessa etapa posterior que os dados seguem para os sistemas da Justiça Eleitoral responsáveis pela totalização.
Para entender a diferença, é necessário separar três etapas: votar, apurar e transmitir.
Durante a votação, a urna permanece offline. Ao encerramento, ela própria apura os votos daquela seção e produz o Boletim de Urna. Só depois os arquivos de resultado seguem para a infraestrutura de transmissão.
Em resumo
- A urna eletrônica utilizada pelo eleitor funciona offline.
- Ela não fica conectada à internet durante a votação.
- O voto é registrado em um arquivo chamado Registro Digital do Voto (RDV).
- O RDV registra o voto como digitado, mas não armazena uma associação entre voto e identidade do eleitor.
- Os registros são organizados de maneira destinada a impedir a reconstrução da ordem em que as pessoas votaram.
- O RDV permite uma nova apuração eletrônica para fins de conferência.
- Ao final da votação, a própria urna realiza a apuração da seção.
- O resultado é apresentado no Boletim de Urna (BU).
- Os arquivos são gravados em uma mídia de resultado.
- Essa mídia segue para um ponto de transmissão separado.
- Os resultados transmitidos passam por verificações antes da totalização.
- Portanto, urna eletrônica offline e transmissão eletrônica dos resultados não são conceitos contraditórios.
A urna eletrônica tem acesso à internet?
Não.
O TSE afirma que as urnas eletrônicas não são conectadas a redes externas durante o processo de votação.
A mesma separação é mantida nas etapas de preparação e após o uso do equipamento.
Isso diferencia a urna de equipamentos comuns, como smartphones e notebooks.
Quando alguém utiliza um aplicativo bancário, por exemplo, o dispositivo normalmente estabelece comunicação com servidores remotos para executar operações.
Na urna, a lógica é diferente.
A máquina possui localmente os sistemas e as informações necessárias para realizar a votação daquela seção.
O voto não precisa ser enviado para um servidor central no momento em que o eleitor pressiona a tecla CONFIRMA.
Então é possível acessar uma urna remotamente pela internet?
O desenho descrito pelo TSE não oferece uma conexão externa de rede para que a urna da seção seja acessada remotamente pela internet durante a votação.
Essa característica reduz uma categoria específica de risco: ataques que dependam de uma conexão remota direta com o equipamento enquanto recebe votos.
Entretanto, é importante não transformar isso em uma afirmação absoluta de que qualquer sistema computacional é imune a qualquer tipo de risco.
A segurança eleitoral utiliza diferentes mecanismos e procedimentos, incluindo controle de software, assinaturas digitais, criptografia, lacres físicos, auditorias e fiscalização.
O funcionamento offline é uma dessas camadas.
A urna possui Wi-Fi ou Bluetooth?
A urna eletrônica não funciona como um computador pessoal conectado.
Segundo a documentação do TSE sobre o isolamento dos equipamentos, ela não dispõe de mecanismo destinado a conectá-la às redes externas utilizadas normalmente para comunicação pela internet.
Portanto, não existe a necessidade de a urna entrar em uma rede Wi-Fi do local de votação para registrar cada escolha.
Também não é necessário conectar o equipamento ao smartphone do mesário ou a uma rede móvel para que os votos sejam armazenados.
O registro acontece localmente.
O que acontece quando o eleitor aperta CONFIRMA?
Quando a escolha é confirmada, o sistema registra aquele voto no Registro Digital do Voto, conhecido pela sigla RDV.
A regulamentação das Eleições 2026 determina que os votos sejam registrados individualmente pelo sistema de votação, preservando o anonimato do eleitor.
O RDV grava cada voto como digitado, separado por cargo e em arquivo próprio para essa finalidade. Depois da confirmação dos votos de cada pessoa, o arquivo é atualizado e assinado digitalmente; o sistema também registra informação de horário no arquivo de log.
Isso significa que o voto não precisa sair da urna para ser registrado.
O processo acontece dentro do próprio equipamento.
O que é o Registro Digital do Voto?
O Registro Digital do Voto (RDV) é um dos elementos mais importantes para entender como os votos são armazenados.
Ele funciona como um registro digital das escolhas realizadas naquela urna.
Segundo o TSE, o RDV preserva aquilo que foi digitado pelo eleitor, sem acrescentar uma identificação que permita relacionar determinado voto a determinada pessoa.
Isso permite duas características importantes:
1. Preservar o sigilo do voto.
2. Permitir a conferência posterior da apuração.
O RDV pode ser utilizado para realizar uma nova apuração eletrônica e comparar o resultado obtido com aquele apresentado oficialmente pela urna.
A urna grava o nome do eleitor junto do voto?
Não.
Esse é um ponto fundamental do funcionamento do sistema.
O processo precisa saber que determinada pessoa está habilitada a votar, mas isso não significa armazenar sua identidade ao lado da escolha realizada.
Segundo o TSE, não há no RDV uma informação que permita vincular um voto específico a determinado eleitor.
Imagine uma tabela simplificada:
| Registro | Cargo | Voto |
| A | Cargo 1 | número digitado |
| B | Cargo 1 | número digitado |
| C | Cargo 1 | branco |
| D | Cargo 1 | número digitado |
O exemplo é apenas ilustrativo.
O ponto principal é o que não existe nessa estrutura:
| Informação | Fica associada ao voto no RDV? |
| Nome do eleitor | Não |
| CPF | Não |
| Título eleitoral | Não |
| Biometria | Não |
| Número que permita identificar diretamente quem votou | Não |
A autenticação do eleitor e o armazenamento da escolha são tratados de maneira a preservar o voto secreto.
Se não existe o nome, seria possível descobrir pela ordem dos votos?
O sistema também procura impedir essa associação.
Imagine uma seção em que três pessoas votem nesta ordem:
- Ana;
- Bruno;
- Carlos.
Se o RDV simplesmente armazena três conjuntos completos de votos exatamente nessa sequência, alguém com acesso aos registros de comparecimento poderia tentar relacionar posição e eleitor.
Por isso, o sistema não mantém uma sequência que permita reconstruir dessa maneira a ordem dos votos.
Segundo o TSE, os votos são armazenados de forma destinada a impedir tanto a associação entre escolhas para cargos diferentes quanto sua vinculação à sequência de comparecimento dos eleitores.
O Tribunal compara esse princípio a uma urna tradicional de papel.
Depois que várias cédulas são colocadas dentro da caixa e misturadas, é possível contar os votos, mas não determinar qual pessoa depositou determinada cédula.
No ambiente eletrônico, o RDV busca preservar essa separação.
O RDV permite recontar os votos?
Sim.
Essa é justamente uma de suas funções de auditoria.
Como o arquivo preserva os votos registrados, é possível realizar uma nova apuração eletrônica e comparar o resultado com o Boletim de Urna.
O TSE informa que partidos e entidades com acesso previsto pelas normas podem obter arquivos de RDV e utilizar ferramentas próprias para verificar a apuração.
Portanto, a apuração não depende apenas de confiar em um número final exibido por um sistema central.
Existem arquivos produzidos pelas próprias urnas que podem ser utilizados em verificações posteriores.
Os votos ficam armazenados em apenas um lugar?
O TSE documentou o uso de memória interna e externa no armazenamento dos dados da votação. A redundância ajuda a preservar as informações caso ocorra problema em um dos meios.
A preparação das urnas também utiliza diferentes tipos de mídia.
O Tribunal cita, entre elas:
- cartões de memória de carga;
- cartões de memória de votação;
- mídias de resultado.
Esses elementos possuem funções diferentes.
A mídia de carga participa da preparação da urna.
As memórias utilizadas na votação armazenam dados necessários ao processo.
Já a mídia de resultado é utilizada depois do encerramento para transportar os arquivos produzidos pela urna.
O que é a mídia de resultado?
Depois que a votação termina, os arquivos de resultado precisam sair fisicamente da urna para chegar à infraestrutura de transmissão.
É aí que entra a mídia de resultado.
Ela é um dispositivo removível utilizado para transportar os arquivos produzidos pelo equipamento.
Em explicação publicada pelo TSE em 2026, o Tribunal descreveu de forma direta o processo: depois que a urna é encerrada e os boletins são impressos, uma mídia contendo os resultados é retirada do equipamento.
A mídia é então encaminhada para um ponto autorizado de transmissão.
Portanto, existe uma diferença fundamental:
o voto não sai da urna pela internet → os arquivos são retirados por uma mídia → posteriormente são transmitidos por outra infraestrutura.
O que acontece antes do primeiro eleitor votar?
Antes de começar a receber votos, a urna emite um documento conhecido como zerésima.
Ele demonstra que, naquele momento, não existem votos computados para candidaturas ou legendas naquela urna.
Esse procedimento permite comparar dois momentos diferentes:
início da votação: nenhum voto computado;
fim da votação: resultado registrado no Boletim de Urna.
A zerésima faz parte dos mecanismos públicos de verificação do processo.
O que é o Boletim de Urna?
Depois que a votação é encerrada, cada urna realiza a apuração dos votos daquela seção.
O resultado é apresentado no Boletim de Urna (BU).
O documento mostra os totais registrados naquela seção eleitoral, incluindo votos atribuídos às candidaturas e legendas, além dos votos brancos e nulos.
Uma via é impressa no próprio local, permitindo a consulta do resultado daquela urna antes mesmo de sua incorporação ao resultado total da eleição.
Esse detalhe é importante porque cria uma referência pública anterior à totalização.
Apuração e totalização são a mesma coisa?
Não.
Essa distinção ajuda a compreender por que a urna não precisa estar conectada à internet.
Apuração
Acontece na própria urna.
O equipamento contabiliza os votos registrados naquela seção e gera o Boletim de Urna.
Totalização
Acontece posteriormente.
Os resultados das diferentes urnas são recebidos pela Justiça Eleitoral e somados para formar o resultado da eleição.
Portanto:
urna → apura a seção
sistemas de totalização → reúnem as apurações das seções
A internet não é necessária para a primeira etapa.
Se a urna não tem internet, como os votos chegam ao TSE?
Depois da apuração, o Boletim de Urna e outros arquivos de resultado são gravados na mídia apropriada.
Essa mídia é encaminhada a um centro de transmissão, que pode estar em um cartório eleitoral, local de votação ou outra estrutura definida pela Justiça Eleitoral.
É a partir dessa infraestrutura separada que os resultados seguem para os sistemas eleitorais.
O TSE informa que a transmissão utiliza uma rede privativa. Quando os arquivos chegam ao sistema de totalização, passam por verificações de autenticidade e integridade.
Em localidades remotas, podem ser utilizados outros meios de comunicação, inclusive transmissão por satélite.
Isso não transforma a urna em um dispositivo conectado.
A transmissão acontece depois e por outro equipamento.
Existe diferença entre transmitir o voto e transmitir o resultado?
Sim — e essa diferença é essencial.
Durante a votação, cada escolha fica registrada na urna.
Depois do encerramento, a própria urna apura os votos e produz o resultado da seção.
O que segue para a totalização são os arquivos de resultado produzidos no processo eleitoral.
Por isso, dizer simplesmente que “os votos são enviados pela internet quando o eleitor aperta CONFIRMA” descreve incorretamente o funcionamento do sistema.
O caminho é mais próximo deste:
Eleitor vota → voto é registrado localmente → votação termina → urna apura → BU é produzido → arquivos são gravados na mídia de resultado → mídia segue ao ponto de transmissão → resultado é transmitido → arquivos são verificados → resultado entra na totalização.
Como o sistema verifica se o resultado recebido é legítimo?
Os arquivos produzidos pelas urnas utilizam mecanismos de proteção como assinaturas digitais.
Quando chegam aos sistemas responsáveis pela totalização, são realizadas verificações destinadas a confirmar sua autenticidade e integridade.
No caso do Boletim de Urna, o TSE também descreve procedimentos de criptografia e decriptografia.
O boletim transmitido é criptografado e assinado digitalmente. No recebimento, são verificadas informações relacionadas às chaves e à estrutura do arquivo antes de sua utilização.
Esses mecanismos procuram responder a uma questão importante:
o arquivo recebido corresponde a um resultado produzido por uma urna preparada pela Justiça Eleitoral e permanece íntegro?
A validação ocorre antes da incorporação do resultado à totalização.
Alguém poderia simplesmente criar um arquivo falso de resultado?
Os sistemas não devem aceitar qualquer arquivo que tenha simplesmente o formato aparente de um resultado eleitoral.
Segundo o TSE, os arquivos recebidos passam por verificações, incluindo assinatura digital e conformidade das informações.
Além disso, existe uma referência pública importante: o Boletim de Urna impresso na seção.
O resultado individual das seções também pode ser consultado posteriormente nos sistemas oficiais.
Isso permite comparar o documento produzido localmente com o dado utilizado na totalização.
Para que serve o QR Code do Boletim de Urna?
O BU possui QR Code que permite capturar digitalmente informações do documento.
Segundo o TSE, qualquer pessoa pode utilizar esse recurso para armazenar os dados e realizar conferências.
Isso cria uma possibilidade adicional de fiscalização.
Uma organização, partido ou cidadão pode coletar resultados de diferentes seções e posteriormente compará-los com os dados divulgados oficialmente.
O QR Code não significa que a urna esteja conectada à internet.
Ele é apenas uma forma de representar dados presentes no documento.
A biometria é armazenada junto com o voto?
Não há associação entre a biometria utilizada para identificação e a escolha registrada no RDV.
A biometria serve ao processo de identificação do eleitor.
Já o RDV é estruturado para registrar o voto preservando o anonimato.
Esse isolamento é necessário porque o voto brasileiro é secreto.
Uma infraestrutura eleitoral que permitisse reconstruir posteriormente “quem votou em quem” contrariaria esse princípio.
O horário do voto permite descobrir em quem uma pessoa votou?
A regulamentação prevê registros técnicos no arquivo de log, inclusive relacionados ao funcionamento da urna, mas o RDV não é estruturado para criar uma relação entre identidade, ordem de comparecimento e escolha eleitoral.
Após a confirmação, o RDV é atualizado e assinado digitalmente, enquanto o registro de horário é aplicado ao arquivo de log.
Essa separação é importante.
Um registro operacional de que a urna estava funcionando em determinado momento não equivale a armazenar “eleitor X votou no candidato Y às 14h32”.
O sistema é desenhado para preservar o anonimato do voto.
A urna armazena uma foto da tela ou uma imagem do voto?
O RDV não é uma captura de tela.
Ele registra digitalmente aquilo que foi digitado pelo eleitor, conforme as regras do sistema de votação.
Isso permite contabilizar posteriormente votos nominais, de legenda, brancos e nulos conforme as regras eleitorais aplicáveis.
Não é necessário armazenar uma fotografia da interface apresentada ao eleitor.
Os votos ficam em um banco de dados online?
Não durante a votação.
Esse é outro modo útil de compreender a arquitetura.
Em muitos sistemas digitais atuais, uma ação realizada pelo usuário é imediatamente enviada para um servidor remoto e registrada em um banco de dados na nuvem.
A urna eletrônica não utiliza esse modelo para registrar o voto.
A escolha é armazenada localmente no equipamento por meio do RDV.
Somente após o encerramento ocorre a etapa de transporte e transmissão dos resultados.
Se a internet cair no local de votação, a urna para de funcionar?
A votação na urna não depende de uma conexão convencional com a internet para registrar os votos.
Portanto, uma interrupção da internet disponível no prédio não impede, por esse motivo isolado, que o equipamento continue registrando votos.
Pode haver impacto em outros serviços existentes no local que dependam de comunicação, mas isso é diferente do funcionamento da urna utilizada para votar.
A própria arquitetura offline permite que equipamentos sejam utilizados em regiões com infraestrutura de telecomunicações limitada.
Os resultados podem ser transmitidos posteriormente por meios definidos pela Justiça Eleitoral.
Por que não conectar as urnas diretamente à internet?
Manter a urna isolada reduz a superfície de exposição a ataques remotos durante a votação.
Um dispositivo conectado precisa lidar com interfaces de rede, protocolos e serviços que podem ampliar o conjunto de componentes sujeitos a análise e proteção.
A arquitetura da urna evita essa necessidade para a tarefa de registrar o voto.
Isso não elimina a necessidade de segurança nas demais etapas.
O software precisa ser protegido.
O acesso físico precisa ser controlado.
Os arquivos precisam ser autenticados.
A transmissão posterior precisa ser protegida.
A totalização também precisa passar por verificações.
Por isso, o funcionamento offline deve ser entendido como uma camada dentro de um sistema de segurança mais amplo, e não como a única medida existente.
A urna pode ser auditada mesmo funcionando offline?
Sim.
Na realidade, o funcionamento offline e a auditabilidade são questões diferentes.
O processo disponibiliza diferentes elementos que podem ser utilizados em verificações.
Entre eles estão:
- zerésima;
- Registro Digital do Voto;
- Boletim de Urna;
- logs;
- assinaturas digitais;
- arquivos publicados pela Justiça Eleitoral;
- procedimentos de fiscalização.
Para as Eleições 2026, o portal oficial disponibiliza inclusive especificações dos formatos de arquivos de BU, RDV, logs e assinaturas digitais.
O RDV permite realizar nova apuração eletrônica, enquanto o BU permite comparar o resultado produzido na seção com aquele posteriormente incorporado à totalização.
É correto dizer que a eleição inteira acontece offline?
Não.
Essa frase seria tão imprecisa quanto dizer que a urna permanece conectada à internet.
O correto é distinguir as etapas.
| Etapa | Internet na própria urna? |
| Identificação e votação na seção | Não |
| Registro do voto no RDV | Não |
| Apuração realizada pela urna | Não |
| Impressão do Boletim de Urna | Não |
| Retirada da mídia de resultado | Não |
| Transporte ao ponto de transmissão | Não depende da urna estar online |
| Transmissão dos resultados | Utiliza infraestrutura separada |
| Totalização | Ocorre nos sistemas da Justiça Eleitoral |
Essa separação resolve grande parte da confusão sobre conectividade no processo eleitoral.
Urna offline significa segurança absoluta?
Não é adequado avaliar segurança digital dessa maneira.
Nenhum sistema deve ser descrito apenas por uma característica e transformado em “absolutamente seguro”.
O funcionamento offline reduz riscos associados a conexões remotas, mas a segurança do processo eleitoral depende de diversas outras medidas.
A Justiça Eleitoral utiliza mecanismos como assinaturas digitais, criptografia, controles físicos, registros técnicos e procedimentos de auditoria.
Os programas e arquivos produzidos pelas urnas também utilizam assinaturas digitais para permitir verificações de integridade e autenticidade.
Por isso, uma explicação tecnicamente mais adequada é:
a urna funciona offline e essa característica integra uma arquitetura de segurança composta por diferentes mecanismos técnicos e procedimentos de fiscalização.
O que acontece com meu voto do CONFIRMA até o resultado?
De maneira simplificada, o caminho pode ser representado assim:
1. O eleitor digita o voto.
2. Pressiona CONFIRMA.
3. A escolha é registrada localmente no RDV.
4. O RDV preserva o voto sem associá-lo à identidade do eleitor.
5. A votação continua offline.
6. Ao final do período, a urna encerra o recebimento de votos.
7. A própria urna apura os registros da seção.
8. O Boletim de Urna é produzido e impresso.
9. Os arquivos de resultado são gravados na mídia apropriada.
10. A mídia é encaminhada ao ponto de transmissão.
11. Os arquivos seguem pela infraestrutura da Justiça Eleitoral.
12. São realizadas verificações de autenticidade e integridade.
13. O resultado da seção é incorporado à totalização.
Essa arquitetura explica por que é possível ter uma eleição eletrônica sem manter cada urna conectada à internet.
A tecnologia está presente em praticamente todo o processo, mas registro local do voto e comunicação dos resultados são etapas diferentes.
Perguntas frequentes
A urna eletrônica usa internet durante a votação?
Não. Segundo o TSE, a urna permanece isolada de redes externas durante a votação e não é ela que transmite diretamente os resultados.
Onde meu voto fica armazenado?
O voto é registrado no Registro Digital do Voto (RDV), arquivo mantido pela urna para registrar as escolhas realizadas naquela seção.
O RDV guarda meu nome junto com meu voto?
Não. O sistema é estruturado para preservar o anonimato e impedir a associação entre determinado voto e a identidade do eleitor.
A biometria fica registrada junto do candidato escolhido?
Não. A identificação do eleitor e o registro de sua escolha são processos separados. O RDV não associa a escolha à identidade ou biometria do votante.
É possível recontar os votos de uma urna eletrônica?
Sim. O RDV permite uma nova apuração eletrônica e pode ser utilizado para comparar o resultado com o Boletim de Urna.
Como o resultado chega ao TSE se a urna não tem internet?
Depois do encerramento, os arquivos são gravados em uma mídia de resultado, levados a um ponto de transmissão e enviados por infraestrutura separada da urna.
O Boletim de Urna é produzido antes ou depois da transmissão?
Antes. A própria urna apura os votos da seção e produz o BU. A transmissão acontece posteriormente.
Se a internet do local de votação cair, os votos deixam de ser registrados?
Não por causa da conexão. O registro dos votos na urna não depende de acesso convencional à internet.
Apuração e totalização são a mesma coisa?
Não. A urna apura os votos daquela seção. Depois, os resultados das diferentes urnas são reunidos pelos sistemas da Justiça Eleitoral para formar a totalização da eleição.
O resultado de uma seção pode ser conferido?
Sim. O Boletim de Urna apresenta o resultado produzido localmente e os dados das seções podem ser consultados posteriormente nos sistemas oficiais.
Fontes consultadas
- Tribunal Superior Eleitoral — Votação segura: documentação sobre RDV, armazenamento dos votos, isolamento da urna, transmissão e verificações dos arquivos. Consultar no TSE
- TSE — Entenda a diferença entre apuração e totalização de votos: explicação atualizada em 4 de outubro de 2026 sobre a apuração feita pela própria urna e a posterior totalização. Consultar no TSE
- TSE — Preparação das urnas: documentação sobre mídias de carga, votação, resultado, lacres e isolamento dos equipamentos. Consultar no TSE
- TSE — Eleições 2026: disponibilização dos formatos dos arquivos de BU, RDV, logs e assinaturas digitais utilizados no pleito. Portal Eleições 2026
- TSE — Criptografia: explicação dos mecanismos aplicados ao Boletim de Urna e das verificações realizadas no recebimento. Consultar no TSE




