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Como funciona a urna eletrônica usada nas Eleições 2026?

Entenda como funciona a urna eletrônica usada nas Eleições 2026, seu hardware, armazenamento dos votos, operação offline e principais etapas de segurança.

Por agencia.sekoia@gmail.com
urna eletrônica

Nas Eleições Gerais de 2026, mais de 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar utilizando uma infraestrutura formada por 563.910 urnas eletrônicas preparadas pela Justiça Eleitoral.

Apesar de ser utilizada há três décadas no Brasil, a tecnologia por trás da urna ainda gera dúvidas: ela se conecta à internet? Onde os votos ficam armazenados? Como o equipamento sabe quais programas pode executar? E o que acontece com os dados depois que a votação termina?

Nas eleições deste ano, quatro gerações do equipamento estão em operação: UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. Os dois modelos mais recentes representam aproximadamente 77% das máquinas utilizadas. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os diferentes modelos executam os mesmos recursos necessários à votação, apesar das diferenças de hardware. 

A característica mais importante para compreender o sistema é que a urna utilizada na seção eleitoral funciona de forma isolada.

Ela não utiliza internet, Wi-Fi ou Bluetooth para registrar votos e não transmite resultados diretamente para o TSE.

A segurança do processo depende de diferentes camadas: software assinado digitalmente, componentes de hardware protegidos, lacres físicos, registros de auditoria, armazenamento separado dos votos e procedimentos públicos realizados antes, durante e depois da eleição. Tribunal Superior Eleitoral

Em resumo

  • As Eleições 2026 utilizam 563.910 urnas eletrônicas.
  • Quatro modelos estão em operação: UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022.
  • Cerca de 77% são dos modelos mais recentes, UE2020 e UE2022.
  • A urna não fica conectada à internet durante a votação.
  • O equipamento não possui hardware destinado a Wi-Fi, Bluetooth ou conexão de rede convencional.
  • Os votos são registrados em um arquivo chamado Registro Digital do Voto (RDV).
  • O RDV não associa o voto à identidade do eleitor.
  • Antes da votação, a urna imprime a zerésima, demonstrando que não há votos previamente registrados.
  • Ao fim da votação, a urna gera o Boletim de Urna (BU) com o resultado daquela seção.
  • Os sistemas utilizados nas Eleições 2026 foram assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública em 4 de setembro.
  • O resultado não é transmitido diretamente pela urna; os arquivos passam posteriormente por infraestrutura própria da Justiça Eleitoral. 

O que existe dentro de uma urna eletrônica?

A urna não é apenas um teclado ligado a uma tela.

Ela é um computador desenvolvido especificamente para o processo eleitoral brasileiro.

O equipamento possui componentes responsáveis por processamento, armazenamento, impressão de relatórios, alimentação elétrica e interação com o eleitor e com a mesa receptora.

Na seção eleitoral, o sistema é dividido principalmente entre dois equipamentos.

O Terminal do Eleitor é onde os números são digitados e os votos confirmados.

Já o Terminal do Mesário é utilizado para procedimentos relacionados à habilitação do eleitor e à operação da seção.

Nos modelos mais recentes, a interface do terminal do mesário utiliza tela sensível ao toque. 

Qual processador existe nas urnas mais novas?

Os modelos UE2020 e UE2022 utilizam, segundo a documentação do TSE, um processador Intel Atom E3940 de 1,16 GHz, acompanhado de 4 GB de memória DDR3L.

A UE2020 representou um salto significativo em relação à UE2015: o TSE informa que sua capacidade de processamento foi aumentada em aproximadamente 18 vezes.

A UE2022 é tecnicamente muito semelhante à UE2020, com alterações menores no gabinete e na construção. 

Isso não significa que a urna seja comparável diretamente a um computador doméstico moderno.

O equipamento foi desenvolvido para uma função muito específica.

Ela não precisa executar navegadores, redes sociais, aplicativos de produtividade ou outras tarefas comuns de um computador convencional.

O hardware e o software são projetados em conjunto para executar o processo eleitoral.

Quais urnas foram usadas nas Eleições 2026?

O TSE confirmou quatro modelos para o pleito deste ano:

ModeloQuantidade preparada para 2026
UE2022217.145
UE2020222.323
UE201595.065
UE201329.377
Total563.910

As UE2020 e UE2022 correspondem a aproximadamente 77% desse conjunto. A distribuição é feita pelos 27 Tribunais Regionais Eleitorais conforme as necessidades de cada zona eleitoral.

Um eleitor, portanto, pode utilizar um modelo visualmente diferente daquele encontrado em outra cidade.

Isso não significa que os votos sejam processados por sistemas eleitorais diferentes.

O TSE informa que os recursos necessários ao processo são mantidos entre as versões utilizadas.

A urna eletrônica usa internet?

Não durante a votação.

Esse é um dos pontos centrais da arquitetura do equipamento.

Segundo o TSE, a urna funciona de maneira isolada e não possui os componentes de hardware necessários para conexão convencional a redes.

Também não é disponibilizado no sistema operacional um mecanismo destinado a acesso remoto durante a votação. 

A documentação do Tribunal afirma que a urna não utiliza:

  • internet;
  • Wi-Fi;
  • Bluetooth;
  • rede móvel;
  • conexão externa de rede durante a votação.

Isso significa que alguém conectado à internet em outro local não estabelece uma sessão remota diretamente com a urna instalada na seção eleitoral.

Então como o resultado chega ao TSE?

É importante separar urna e infraestrutura de transmissão.

Depois que a votação termina, a urna gera arquivos contendo o resultado daquela seção.

Esses arquivos são posteriormente transportados para a infraestrutura responsável pela transmissão e totalização.

Segundo o TSE, não é a própria urna que transmite os resultados pela internet. Tribunal Superior Eleitoral

Na etapa de transmissão, os arquivos recebem verificações de integridade e autenticidade antes de serem aceitos pelo sistema responsável pela totalização.

O TSE informa que são verificadas, entre outros elementos, as assinaturas digitais dos arquivos e a compatibilidade das informações recebidas com uma urna preparada pela Justiça Eleitoral. 

Assim, dizer que existe conectividade em alguma etapa da apuração não significa que a urna permaneça conectada durante o voto.

São partes diferentes da infraestrutura eleitoral.

Onde os votos ficam armazenados?

A urna utiliza diferentes tipos de mídia durante sua preparação e operação.

A Justiça Eleitoral trabalha, por exemplo, com:

  • mídias de carga;
  • mídias de votação;
  • mídias de resultado.

Durante a preparação, cartões de memória são utilizados para inserir os sistemas e informações necessárias ao funcionamento de cada urna.

Depois, outros meios de armazenamento participam do registro da votação e dos arquivos resultantes. 

Após a preparação, as portas de acesso físico recebem lacres especiais.

O TSE informa que esses lacres são produzidos para evidenciar tentativas de remoção ou violação. 

O que é o Registro Digital do Voto?

O principal arquivo relacionado ao registro individual dos votos é chamado Registro Digital do Voto, ou RDV.

A regulamentação das Eleições 2026 estabelece que cada voto confirmado seja registrado nesse arquivo, separado por cargo e protegido por mecanismos destinados a preservar o sigilo. 

Um detalhe fundamental é que o RDV não contém uma identificação que permita associar determinado voto a determinado eleitor.

O arquivo registra aquilo que foi digitado na urna, mas a gravação é feita de modo que a sequência dos votos não corresponda à ordem das pessoas que compareceram à seção. 

Uma comparação utilizada pelo próprio TSE é a urna de papel.

Em uma votação tradicional, as cédulas ficam misturadas dentro da urna.

É possível contar os votos depois, mas não reconstruir quem colocou cada cédula.

O RDV procura preservar essa separação no ambiente digital.

É possível recontar os votos usando o RDV?

Sim.

O RDV é também um mecanismo de auditoria.

A partir dele, é possível realizar uma nova apuração eletrônica dos votos registrados em determinada urna e comparar o resultado com o Boletim de Urna produzido pelo equipamento.

Partidos e entidades fiscalizadoras podem obter os arquivos conforme os procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral e desenvolver ferramentas próprias de conferência. 

O que acontece antes de começar a votação?

Quando a urna é ligada no dia da eleição, uma das primeiras verificações públicas é a emissão da zerésima.

A zerésima é um relatório que demonstra que a urna está iniciando aquela votação sem votos registrados.

O documento contém informações da seção e é emitido antes do início da votação.

Representantes e fiscais podem acompanhar o procedimento. 

A lógica é simples:

antes do primeiro eleitor → zero votos registrados.

Depois disso, a urna é liberada para receber os votos daquela seção.

Por que isso é importante?

A zerésima permite verificar publicamente o estado inicial do registro de votos.

Ao final do dia, outro documento será produzido: o Boletim de Urna.

Dessa forma, existem comprovantes referentes ao início e ao encerramento da votação.

O que acontece quando o eleitor aperta “Confirma”?

Quando o voto é confirmado, o sistema registra aquela escolha no RDV.

De acordo com a Resolução nº 23.751/2026, após a confirmação dos votos de cada eleitor, o arquivo é atualizado e assinado digitalmente.

A operação também gera informações no arquivo de log da urna. 

O registro da escolha não inclui uma associação com a identidade do eleitor.

A habilitação da pessoa para votar e o armazenamento da escolha são processos separados justamente para preservar o sigilo.

A biometria fica junto do voto?

Não existe no RDV um campo associando determinada escolha à biometria ou identidade de quem votou.

A função da identificação é verificar a habilitação da pessoa para votar.

O sistema de votação registra a escolha de maneira destinada a impedir a ligação posterior entre voto e eleitor.

Isso é essencial para o princípio do voto secreto.

O que acontece quando a votação termina?

Ao encerrar a votação, a urna realiza a apuração eletrônica daquela seção e produz diversos arquivos.

Entre eles estão o RDV, registros técnicos e o Boletim de Urna.

O BU apresenta o resultado daquela seção eleitoral. 

Ele inclui informações como:

  • município;
  • zona eleitoral;
  • seção;
  • identificação da urna;
  • versão do sistema;
  • quantidade de eleitores aptos;
  • quantidade de votantes;
  • votos recebidos por cada candidato;
  • votos de legenda;
  • votos brancos;
  • votos nulos;
  • total de votos.

O documento é impresso diretamente na seção.

A regulamentação prevê várias vias, inclusive para publicidade e fiscalização.

Por que o Boletim de Urna é importante?

Porque ele cria uma referência pública do resultado antes da totalização nacional.

O total daquela seção pode posteriormente ser comparado com o resultado divulgado pelos sistemas da Justiça Eleitoral.

Isso permite verificações independentes.

Os modelos mais recentes também incluem QR Codes nos boletins, recurso introduzido a partir da geração UE2015. 

O que impede a instalação de qualquer programa na urna?

A arquitetura utiliza diferentes mecanismos de autenticação.

Antes da eleição, os programas desenvolvidos para o pleito passam por um processo de inspeção, testes, assinatura digital e lacração.

Para 2026, os sistemas ficaram disponíveis para inspeção das entidades fiscalizadoras desde 2 de outubro de 2025.

A versão final utilizada no pleito foi assinada digitalmente e lacrada em cerimônia pública realizada em 4 de setembro de 2026. 

A assinatura digital funciona como um mecanismo para verificar a autenticidade e integridade do software.

Uma alteração posterior muda sua identificação criptográfica e impede que seja reconhecido como o software autorizado.

O que é o Módulo de Segurança Embarcado?

As gerações mais novas contam também com mecanismos físicos de proteção.

Um deles é o Módulo de Segurança Embarcado (MSE).

Segundo explicação técnica publicada pelo TSE em agosto de 2026, o componente participa da verificação de elementos essenciais do equipamento.

Se determinadas validações não forem concluídas corretamente, o módulo pode impedir o funcionamento normal do processador principal. 

A urna também verifica a presença de componentes considerados necessários à votação.

O TSE cita como exemplos o terminal do mesário e a impressora interna.

Uma alteração física inesperada pode fazer com que a urna interrompa sua operação em vez de continuar trabalhando em um estado considerado inseguro. 

Por que segurança em camadas é importante?

Nenhum mecanismo isolado é apresentado como responsável por toda a proteção.

A arquitetura combina diferentes controles:

  1. Software específico.
  2. Assinaturas digitais.
  3. Hardware dedicado.
  4. Módulo de segurança.
  5. Lacres físicos.
  6. Registros de log.
  7. RDV.
  8. Zerésima.
  9. Boletim de Urna.
  10. Procedimentos de fiscalização e auditoria.

A ideia é que diferentes mecanismos possam detectar ou limitar alterações inesperadas.

Perguntas frequentes

A urna eletrônica das Eleições 2026 possui internet?

Não durante a votação. Segundo o TSE, a urna funciona de maneira isolada e não possui hardware destinado a conexão convencional com redes, Wi-Fi ou Bluetooth. Tribunal Superior Eleitoral

Quantas urnas foram preparadas para as Eleições 2026?

A Justiça Eleitoral informou que colocou 563.910 equipamentos em operação para atender mais de 158,7 milhões de eleitores. Tribunal Superior Eleitoral

Quais modelos foram utilizados?

UE2013, UE2015, UE2020 e UE2022. Os modelos UE2020 e UE2022 representam aproximadamente 77% do total preparado. Tribunal Superior Eleitoral

Onde o voto fica armazenado?

Cada voto é registrado no Registro Digital do Voto (RDV), protegido de forma a preservar o sigilo da escolha. Tribunal Superior Eleitoral

A urna registra quem votou em cada candidato?

Não. O RDV é estruturado para impedir a associação entre o voto registrado e a identidade ou ordem de comparecimento dos eleitores. Tribunal Superior Eleitoral

O que é a zerésima?

É o relatório emitido antes do início da votação para demonstrar que a urna está sem votos registrados. Tribunal Superior Eleitoral

O que é o Boletim de Urna?

É o relatório produzido ao final da votação com os resultados daquela seção, incluindo votos por candidato, votos de legenda, brancos e nulos. Tribunal Superior Eleitoral

A própria urna envia o resultado pela internet?

Não. A urna gera os arquivos e o Boletim de Urna. A transmissão posterior utiliza infraestrutura separada da máquina utilizada pelos eleitores. Tribunal Superior Eleitoral

O software da urna pode ser inspecionado?

Os códigos-fonte dos sistemas eleitorais são disponibilizados previamente para inspeção das entidades fiscalizadoras previstas nas normas eleitorais. Para 2026, esse ciclo começou em outubro de 2025. Tribunal Superior Eleitoral

O que acontece se a urna apresentar problema?

Existem procedimentos de contingência, incluindo a substituição por urna previamente preparada quando necessário. Tribunal Superior Eleitoral


Fontes consultadas

A principal base desta matéria é a documentação oficial do Tribunal Superior Eleitoral:

TSE — Modelos de urna utilizados nas Eleições 2026

TSE — Resolução nº 23.751/2026 sobre os atos gerais do processo eleitoral

TSE — Votação segura: zerésima, RDV e transmissão dos resultados

TSE — Sistemas das Eleições 2026 assinados digitalmente e lacrados

TSE — Evolução técnica dos modelos de urna eletrônica

TSE — Funcionamento do Módulo de Segurança Embarcado

TSE — Preparação das urnas e mídias utilizadas

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